quarta-feira, 14 de julho de 2010

Bibliolatria, um pecado despercebido.

Quando me "converti", no auge da minha adolescência, acreditando que a "igreja" seria a fonte que supriria toda a minha sede e fome de Deus, fui logo aconselhado a ingressar num departamento de "novos convertidos" para aprender a ter modos e comportamentos que correspondessem àquela instituição religiosa, a saber, a Igreja Evangélica.

Logo, fui confrontado a viver conforme a "Bíblia" orientava, pois, a mesma, seria o meu manual de conduta, fé e prática. Tornei-me um membro assíduo da Escola Bíblica Dominical, e aí iniciou o meu primeiro conflito quanto à interpretação das Escrituras.

Pois, o que eu aprendia na EBD, sempre me era passado como "verdade absoluta", e tudo que fosse contra aquele ensino, era considerado "heresia". Eles enfiavam goela abaixo suas teorias, e se os questionassem, era considerado a ovelha negra rebelde da EBD. Daí sempre vinha àquela mesma estória, que se tornara até um jargão, a Bíblia é a Palavra de Deus. Senão estiver escrito na Bíblia, não creia. Só acredito no que estiver na Bíblia.
Meu Deus fiquei pasmo!! Pois, como um Deus tão Soberano poderia simplesmente está preso a 66 livros altamente resumidos? Era como colocar Deus dentro de uma caixa, e dizer: Tu só pode se manifestar até aqui. Ingressei no seminário, lutei e relutei para tirar todas as minhas dúvidas dentro desses questionamentos, mais não teve jeito. Fui bombardeado por "teologias", "teorias" e "teses", e sempre com a mesma conclusão: Esta teoria é a certa, o restante está errado.

Logo pensei: Como a Bíblia pode ser nosso manual de conduta, fé e prática se todos os grupos cristãos conseguem criar diferentes sistemas de teologias, sempre com base nas Escrituras? E como posso ter a certeza de que, a Bíblia é a Palavra de Deus se existem Bíblias Judaica, Ortodoxa, Católica e Protestante? E todos seus respectivos leitores, afirmam categoricamente que sua "interpretação é a correta".

Sei que o que escrevo é polêmico, principalmente para aqueles que me conhecem há muito tempo. Precisa-se ter muita coragem e não está preso a nenhuma corrente teológica ou denominacional para fazer tal pergunta. Mas, entenda querido (a). Não estou aqui para debater se a Bíblia é, contém ou narra a Palavra de Deus, e sim, para mostrar que existe um pecado, chamado: BIBLIOLATRIA.

Palavra esta que vem de dois vocábulos gregos, com o sentido de "adoração ao livro". Existem os que idolatram uma imagem, um ente querido, e pasmem, existem os que idolatram a própria Bíblia.
Afinal a Bíblia é inerrante? Tenho total segurança em minhas convicções para hoje está afirmando que a Bíblia não é inerrante. Sabe por quê? Porque a partir do momento em que a mesma tem um lado humano em sua produção, e visto que, as produções humanas não são perfeitas, esse elemento humano impede que as Escrituras sejam perfeitas. Para os "Bibliólatras", isso é a maior heresia e aberração, mas veja bem:

Afinal, para que serve as Escrituras? João 1:1 (NVI)

"No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus. Ela estava com Deus no princípio. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito. Nele estava a vida, e esta era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram."

Jesus é a Palavra. Ele não está acima dela, nem abaixo, Ele é o verbo. Os Bibliólatras colocam a Bíblia acima de Jesus. Até a usam fora de seu contexto para confrontar com as Palavras do próprio Mestre. O maior exemplo disso eram os próprios Fariseus que usavam a Lei para confrontar com Aquele que revelara a mesma Lei a Moisés. Certa feita, Cristo perguntou: "O que está escrito na Lei? ", respondeu Jesus. "Como você a lê? " (Lc 10:26 NVI).
Pois é meu amigo (a). Como estamos interpretando as Escrituras? Com nossas "teologias-ao-nosso-bel-prazer?" A Bíblia não é Jesus em forma de papel, nem tampouco, Jesus é a Bíblia em forma humana. Muito pelo contrário, Jesus é a Palavra de Deus e ela, a Escritura, dá testemunho Dele.

"E são as Escrituras que testemunham de mim” (Jo 5. 39 NVI)

Em Cristo, que é a Essência de toda Palavra


Um comentário:

  1. Sérgio, ótimo artigo.
    Muitos criticam a idolatria de imagens, mas a mais perigosa sem dúvida é a bibliolatria. Não sou contrário ao estudo profundo das Escrituras, afinal é preciso um ponto de partida.
    Mas na bibliolatria a bíblia acaba por tomar autoridade maior que o Próprio Deus, o Deus que Criou o Universo não pode ser menor que um livro cheio de traduções e versões que inclui traduções católicas romanas, ortodoxas, evangélicas, mórmons, e centenas de etc.
    Deus não é de Barro, nem de Ouro, muito menos de Papel.

    ResponderExcluir