quinta-feira, 8 de abril de 2010

A Polêmica sobre o Dízimo

A Polêmica sobre o Dízimo

Com tantas "teologia da prosperidade", o assunto dízimo, nunca foi tão polêmico como em nossos dias atuais. Isto, deve-se, pelo fato de diariamente, surgirem tantas igrejas neo-pentecostais.

Mais o assunto em questão, é? Devo ou não entregar o dízimo? E se eu não entregar, serei amaldiçoado e vítima de gafanhotos, locustas, e predadores que levarão todo meu dinheiro?


Será que realmente, existe um demônio, que só saí se eu devolver o dízimo?
Pois é, como um jovem assembleiano, foi o que muito eu ouvi acerca do dízimo. E como sempre eu fui fiel, a tudo que ouvia do altar, obviamente, devolvia todo o meu dízimo de meus salários, férias, décimo - terceiro, FGTS, PIS, Auxílio desemprego, rolo do relógio, até da moeda de R$ 1,00 que encontrava pelo chão.


Motivo? Pavor de o devorador entrar nas minhas finanças. Com este salário medíocre, que ganha o brasileiro, não ia eu dá mole pro capeta!!
Até, até, até que eu entrei no seminário. E como sempre fui "fanzaço", de assuntos neo-testamentários, sempre pesquisando sobre a história da igreja, cheguei à conclusão, de que estava totalmente equivocado sobre o assunto dízimo.
Mais também não vou aqui perder meu tempo, explicando todo início de como surgiu o dízimo, de como ele era entregue, e como isso mudou no Novo Testamento, e blábláblá.

A verdade é que todas as maldições, previstas na lei (A.T.), teve fim, após a ressurreição de Jesus, e o início de uma nova dispensação, da Graça Divina.
Todos aqueles gafanhotos, locustas, pulgão, foram exterminados na cruz do calvário. Hoje não estamos mais a mercê das maldições da Lei.
Mais talvez você me pergunte? Então, pastor Sérgio, devo ou não entregar meu dízimo na igreja?
Bom, não estou aqui igual aqueles fissurados em combater o dízimo, amaldiçoando quem assim o faz, pois, o erro não está em entregar o dízimo, e sim, como você entrega o dízimo.
O Novo Testamento, não fala sobre dízimos diretamente, e sim, sobre ofertas e contribuições. Veja que na igreja Primitiva, os seguidores de Cristo, que perseveravam na doutrina dos Apóstolos, vendiam suas propriedades e repartiam com os mais necessitados.

Atos 2
42 E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.
43 E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos.
44 E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum.
45 E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister.
46 E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração".

O que vai se repetir, em Atos 4:31-37. A fé destes seguidores eram tão grande, que eles simplesmente, não davam 10% de sua renda, e sim, vendiam suas propriedades, dividindo com os mais pobres.


O erro na entrega do dízimo está naquele que faz por pressão, medo de gafanhoto ou barganha com Deus.
E o erro está também em toda liderança, que impõe o dízimo como uma obrigação, e não, como um ato de fé e amor, como vimos nas ofertas acima.

Veja o que diz o Ap. Paulo, em 2ª Coríntios 9:7

"Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria"

"Cada um contribua segundo propôs no seu coração...", aqui derruba a obrigação de dá os 10%. (Segundo propôs no seu coração).

"... não com tristeza ou por necessidade". Aqui derrubam a liderança que obriga o dízimo para se fazer templos lindos, apenas para vaidade pessoal (não... por necessidade).

"... porque Deus ama ao que dá com alegria". Sem essa de devoradores, de pressões psicológicas. Ou é com alegria, ou não.

Como eu sou pastor e administrador de um templo, eu sei perfeitamente dos gastos que se tem com administração destes prédios. Também sou da opinião, que o templo, precisa oferecer da melhor comodidade para suas ovelhas, mais não é por causa disso, que eu vou ensinar errado sobre o dízimo.

E confesso para os meus leitores. As pessoas dizimam ou ofertam com mais alegria, e amor no coração, sem ser obrigatório, do que por medo de maldiçoes que não existem para a Igreja de Cristo.

Volto a dizer, não sou contra quem entrega o dízimo para sustentar o Templo, e sim, daqueles que impõe medo nas ovelhas, fazendo barganhas com Deus, profetizando maldições que eram para Israel, e não, para a Igreja de Cristo.

Seja um contribuídor da obra de Deus.. mais lembre-se:

"Deus ama quem dá com alegria"

Em Cristo, que é o nosso Pastor, nada nos faltará

5 comentários:

  1. Edificante! Nunca tinha aprendido desta forma com bases biblicas tão claras....

    ResponderExcluir
  2. Concordo com seu pensamento, pois é o correto à luz da Bíblia. Eu até prefiro eliminar totalmente a palavra "dízimo", preferindo chamar isso de "contribuição mensal". Em Hebreus está bem claro que o "dízimo" fazia parte da Lei e que era recolhido para a tribo de Levi (Hb 7:5; Num. 18:21), e depois distribuído aos órfãos, viúvas e estrangeiros (Dt 16:11); e tendo fim esse sacerdócio levítico, o qual era imperfeito, se estabeleceu um novo sacerdócio, o de Cristo, segundo a ordem de Melquisedeque (Hb 5:6; Hb 7:11-13), sendo agora Cristo o sumo sacerdote (Hb 5:5) e nós sacerdotes uns dos outros e de si mesmos. Amém!

    ResponderExcluir
  3. Bem esclarecedor e libertador sobretudo no destaque do maravilhoso versiculo 2 corintios 9:7, tão pouco mencionado nos púlpitos. A proposta do coração é muito mais preciosa para Deus do que uma taxa estipulada.Os que batem na tecla da "maldição de Malaquias" deveriam aprender a confiar na ação do Espirito Santo no coração das pessoas, parar com atitudes opressivas que se justificam tão somente em um ambiente ditatorial.

    ResponderExcluir
  4. Pessoal, o dízimo não é da Lei. Abraão deu o dízimo. Então, a devolução do dízimo como expressão de fé, dependência e gratidão a Deus, vem desde o princípio, e Jesus não o aboliu. Jesus disse: "Não vim destruir a Lei, mas cumpri-la. Paulo também disse que aqueles que querem ficar ricos sofrerão muitas dores. Porque acumulavam e não eram liberais para com a causa da Igreja. Se eu dou o dízimo por medo do diabo ou vou à Igreja por medo do inferno, então não aprendi como deveria. Alegrei-me quando me disseram: vamos à casa do Senhor! Shalom Adonay!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Então, seguindo este mesmo raciocínio: sabemos que a circuncisão também é anterior à Lei (assim como o dízimo). O mesmo Abraão que deu o dízimo antes da Lei, também circuncidou-se antes da Lei, e a todos os seus (Gen 17). Como fazemos então?

      Excluir